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Conscientização é essencial para a adoção de crianças com necessidades especiais

Você sabe o que crianças abandonadas pelos pais, ou retiradas provisoriamente do convívio deles pela Justiça, no mundo todo têm em comum? O futuro incerto. Quem vê esta linda menina da foto não faz ideia das provações que a aguardavam não fosse a iniciativa de seus pais adotivos, Beatriz e José Wilame. Nascida com espinha bífida e hidrocefalia, Luisa foi abandonada pelos pais biológicos logo após o parto, ainda no hospital, e passou dois anos em um orfanato. Felizmente, sua condição nunca foi um empecilho para o casal que a adotou e hoje ela vive em uma bela família, cercada pelo amor dos pais e quatro irmãos, um deles também adotivo e portador de síndrome de down.

 

Grande parte das crianças e adolescentes entregues à adoção não tem essa sorte e ainda se encontra em abrigos, vitimadas pela desigualdade social e preconceito que as separam das famílias. Na maioria dos casos, foram os próprios pais biológicos que as deixaram lá, por diferentes motivos. Muitas vezes representados apenas pela figura da mãe, eles geralmente estão vivos e têm o paradeiro conhecido pela Justiça e orfanatos. Alguns visitam as crianças, outros simplesmente somem sem deixar pistas. Muitos jamais têm a pretensão de resgatá-las. É um cenário triste, e infelizmente mais comum do que se imagina.

 

Mesmo no outro lado desta realidade, na fila de adoção, existem diversos obstáculos. A maioria dos futuros pais adotantes, por exemplo, desconhece os duros desafios que os aguardam e o longo caminho que precisarão percorrer até finalmente conseguirem adotar. Quase nunca estão cientes de que a criança que idealizam dificilmente será encontrada, pelo menos não no espaço de tempo curto que imaginam. Com a falta de conscientização da sociedade em geral e de ações do Estado, a situação se agrava e é ainda mais dura para crianças com necessidades especiais.

 

É necessário que todos se conscientizem que grande parte das crianças abandonadas em instituições governamentais para a adoção tem problemas de saúde e que, ainda assim, elas precisam de uma chance para reverter seu quadro e voltar a viver com plenitude. Adotar uma criança significa retirá-la das ruas, dar-lhe um lar, amor, atenção, carinho e  a oportunidade de ter uma vida digna. Devemos ter sempre a consciência de que a adoção é irrevogável.

 

Os pais adotantes que optam por uma criança especial precisam ter a certeza de que podem amar e cuidar daquele ser que necessita de cuidados especiais, e muitas vezes precisam desistir de muitas coisas, já que a adoção, pela própria lei, se equipara à filiação legítima, sendo irreversível. Adoção é doação, doação esta dos pais adotantes em favor dos filhos adotados. Ao se adotar uma criança com necessidades especiais, é preciso doar-se integralmente a elas.

 

Crianças que possuem algum tipo de necessidade especial (com características particulares, sejam elas de qualquer natureza, tais como: má formação congênita; lábio leporino; problemas ortopédicos; cardiopatias; sequelas sifilíticas, como genitália confusa; retardos psicomotores; sequelas de maus tratos, como queimaduras, cicatrizes; problemas psicoafetivos; problemas psíquicos diversos, relacionados à má nutrição, infecção hospitalar etc.; cegueira e vírus HIV) costumam ser repelidas por potenciais adotantes. E só a conscientização (e muito amor) podem mudar isso.

 

Infelizmente, muitas vezes o próprio Estado (em tese o maior interessado em ver as serem crianças adotadas) também é omisso. Se houvesse mais ações de conscientização e explicação sobre o assunto, desconhecido por grande parte da população, possivelmente a adoção de crianças e adolescentes com necessidades especiais se tornaria mais comum. Com a conscientização, o Estado veria seus custos diminuídos com o "desafogamento" dos abrigos, a sociedade se livraria do preconceito, acolheria em seu seio estas crianças e daria a elas a esperança de uma família e uma vida melhor.

 

O Projeto de Lei Nº 6222/05, por exemplo, dá nova redação ao Estatuto da Criança e Adolescente no que tange ao tempo de convivência e regras para adoção internacional, e não trata especificamente da adoção de crianças especiais. O que entende-se, portanto, é que o procedimento é o mesmo em todos os casos, sem nenhuma distinção de cunho jurídico em relação à elas. É o preconceito imposto pela sociedade (e que muitas vezes se dá peos próprios adotantes) que acaba fazendo com que crianças com necessidades especiais sejam, muitas vezes, preteridas.

 

Assim, algo que poderia ser prontamente acrescido ao Projeto de Lei nº 6222/05 seria um incentivo financeiro e educacional por parte do Estado para todos os que pretendem adotar uma criança especial. Como se sabe, uma criança especial demanda melhores tratamentos e estes são mais dispendiosos, e essa ajuda financeira facilitaria a escolha pelas crianças especiais. Complementando o auxílio financeiro, a orientação psicológica poderia ser oferecida aos futuros pais adotantes para que eles pudessem saber realmente tudo sobre a realidade a ser encarada neste tipo de adoção, ou seja, seus prós e contras.

 

A criança, independente de ter necessidades especiais, tem direito a se desenvolver em uma família, e não em uma instituição; tem direito a um lar no qual, além de amparo e proteção, também encontre amor. Na dura realidade brasileira, isso não é bem o que acontece, já que as pessoas que procuram na adoção o meio para exercer a função de pais já levam em suas mentes o perfil exato da criança que estão procurando e normalmente nem olham para aqueles pequenos seres que necessitam de um cuidado maior. Ainda há um certo receio quando se fala em adoção, principalmente de crianças com necessidades especiais. Elas têm maior necessidade de cuidados como, por exemplo, alimentação, saúde e transporte, e isso também dificulta o processo. É preciso que entendam que os interesses do adotado se sobrepõem aos do adotante. Seu bem-estar vem em primeiro lugar.

 

A discriminação e falta de conhecimento ainda são os maiores problemas enfrentados hoje em nosso país em relação à adoção de crianças especiais. As pessoas esquecem que o principal compromisso de quem adota é o amor. Os que estão dispostos a dar um lar a estas crianças precisam estar plenamente cientes de que enfrentarão grandes desafios, bem maiores do que imaginam, mas precisam ver também que a recompensa é tão grande, ou ainda maior, que a dos pais naturais.

 

É preciso que, antes de tudo, os adotantes tenham uma atitude livre de preconceitos, que observem a criança bem de perto e abandonem algumas posições já estabelecidas sobre educação. Não é uma missão fácil, por isso é míster que os futuros pais tenham conhecimento do que irão enfrentar e vontade de cuidar da criança da melhor maneira possível. Precisam entender que esse tipo de escolha desafiará, todos os dias, s

 

ua capacidade de amar, e que sim, são capazes.

 

Fica claro, assim, que a adoção de crianças com necessidades especiais é bastante complexa, pois o preconceito, infelizmente, ainda está enraizado nas mentes e corações de muitas pessoas pessoas. É necessária uma grande dedicação por parte do Estado para a conscientização e incentivo das pessoas, e é preciso também que a vontade de adotar esteja latente nos corações dos interessados, pois este é primeiramente um ato de coragem, que deve vir enraizado com muito amor e livre de quaisquer preconceitos.

 

A adoção dessas crianças, cada vez mais preteridas, deve ser regulamentada com incentivo por parte do Estado, para que a função social a que visa atender o instituto da adoção seja cumprida, pois se forem esquecidas até pelo Estado, a principal função a que se destina a adoção está frustrada.

 

Existe um número inimaginável de crianças desamparadas aguardando por alguém que as queira. O problema é que elas não são, predominantemente, bebês recém-nascidos, completamente saudáveis ou de cabelos cacheados, olhos claros, etc. São crianças apenas. A adoção precisa ser encarada da mesma forma que uma gravidez, em que, apesar de todos os cuidados, corre-se o risco de existirem problemas de saúde, comportamento, etc. Quando um bebê nasce, a família toda necessita passar por um processo de adaptação, e isso não difere na adoção. Quando se resolve adotar uma criança, não se deve ter medo de enfrentar esses problemas, pois filho biológico não é garantia de uma felicidade plena. O maior requisito para adotar uma criança é a disponibilidade incondicional de amar. Ser pai e mãe não é e nunca será somente o fato de gerar; é, antes de tudo, o ato de amar.

 

Logo, vale acreditar também que as pessoas podem se tornar melhores, e que a sociedade aceite de uma vez por todas em seu seio todos os seres humanos, sem distinção de qualquer natureza, pois somente dessa maneira teremos um mundo mais justo. A adoção jamais deve ser vista como a "compra de um filho", em que se busca por um estereótipo, um padrão de ser humano. Primordialmente, adotar é um ato de amor, e esse amor é demonstrado em atitudes como a de amar incondicionalmente uma pessoa que possua necessidades especiais. Adotar uma criança recém-nascida e “perfeita” é muito fácil, difícil mesmo é vencer a barreira do preconceito. Difícil, mas não impossível.

 

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