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Como ajudar a criança com Down a desenvolver sua autonomia

August 14, 2017

Com apoio, aceitação e os estímulos certos desde cedo, pessoas com Síndrome podem viver de forma independente e feliz.

 

Vencer o preconceito é um passo importantíssimo na vida de pessoas com Síndrome de Down e principalmente de quem as rodeia, mas o trabalho em prol da sua qualidade de vida não para por aí. Além de serem aceitas na sociedade, elas precisam de independência, de autonomia e lutar pelas próprias conquistas.

 

Quando nascem, crianças com Down levam mais tempo para desenvolver algumas habilidades como a coordenação motora e a fala, em parte devido à hipotonia (diminuição do tônus muscular) causada pela condição genética, entre outros fatores. Sua capacidade cognitiva também demora mais para se desenvolver.

 

Mas se trabalhadas em conjunto, todas essas questões podem ser superadas. A palavra-chave é incentivar e trabalhar a autonomia, algo que pais, familiares e cuidadores podem ajudar de diversas maneiras.

 

Desenvolvendo as habilidades motoras

 

Crianças com Síndrome de Down podem ter dificuldades locomotoras principalmente no início da vida, mas isso não significa que tenham menos energia ou vontade de brincar e explorar o mundo que outras crianças.

 

Um estudo da UFMG constatou que o atraso no desenvolvimento motor torna-se mais brando com o passar dos anos. Ou seja: bebês com Down começam a vida com dificuldades adicionais, sim, mas em poucos anos e com os estímulos certos seu desempenho funcional se aproxima do de outras crianças na mesma faixa etária.

 

Nos primeiros anos, deve haver o acompanhamento de especialistas como pediatras e fisioterapeutas, e a terapia ocupacional é uma grande aliada. Mas a atuação dos pais é tão importante quanto a dos médicos - ou mais. Há inúmeros exercícios que podem ser realizados em casa mesmo e eles não apenas ajudam no desenvolvimento motor, mas também fortalecem o vínculo familiar e a saúde emocional da criança.

 

Vale a pena conferir o Guia de Estimulação para Crianças com Síndrome de Down publicado pelo Movimento Down, ele traz dicas de exercícios para diferentes faixas etárias e que trabalham diferentes aspectos como consciência corporal e capacidade de sentar, engatinhar e andar. No futuro, essas habilidades serão essenciais para a autonomia da pessoa com Down. Elas as ajudarão a ir mais longe no futuro.

 

É importante lembrar, porém, que pode levar algum tempo, então é preciso respeitar o ritmo da criança para evitar frustrações. Comece cedo e transforme esses momentos de exercícios em uma atividade divertida e de fortalecimento dos vínculos afetivos. 

 

Desenvolvendo a fala e a capacidade de comunicação

 

Da mesma forma que a coordenação motora, a fala também demora mais para se desenvolver em crianças com Síndrome de Down. Boa parte disso é decorrência da flacidez muscular causada pela trissomia. No início da vida, é importante o acompanhamento de um fonoaudiólogo. A terapia o ajudará no equilíbrio dos órgãos ligados à articulação da fala, o que melhora, em paralelo, a sucção, mastigação, deglutição e respiração.

 

Também é importante lembrar que comunicação não se resume à fala. Um sorriso, por exemplo, é uma mensagem poderosa que seu bebê envia muito antes de aprender as primeiras palavras. Incentivar qualquer tipo de expressão é fundamental no desenvolvimento de crianças com Down.

 

Isso é especialmente importante se levarmos em conta que, ao contrário do que alguns pensam, elas são perfeitamente sociáveis e querem interagir com as demais pessoas, como qualquer ser humano. A fala será essencial em todos os momentos da vida, como socialização com colegas na escola e futuramente no trabalho, por isso é um ponto chave para sua autonomia.

 

Desenvolvendo habilidades cognitivas e socialização

 

O desenvolvimento da capacidade de fala anda lado a lado com o desenvolvimento cognitivo, outro ponto em que é importantíssimo estimular a criança com Down desde cedo.

 

Nem todos sabem, mas a dificuldade de aprendizado de uma pessoa com Down não é dificultada simplesmente por uma “limitação intelectual”. Fatores como alterações auditiva, e do sistema nervoso causadas pela condição genética também dificultam a retenção de novos conceitos e a organizações de funções cognitivas como o raciocínio e a memória.

 

Isso não significa, porém, que elas sejam incapazes de aprender. Pelo contrário, com a motivação e um ambiente saudável, que incentive a descoberta e que respeite seu ritmo, uma criança com Down pode surpreender e apresentar níveis intelectuais muito avançados. Vale a pena ler este artigo com ótimas dicas para trabalhar a linguagem, cognição e memória dos pequenos.

 

E além de aprender a se comunicar, a criança deve ser inserida na sociedade e ter uma vida escolar como qualquer outra. Como já abordamos, a educação inclusiva é essencial. É perfeitamente possível, saudável e recomendável que ela entre na vida escolar junto com as demais crianças. Isso facilita sua inclusão na sociedade e garante um desenvolvimento pleno de habilidades que serão fundamentais no futuro para garantir sua independência.

 

Seguindo essa linha e trabalhando com carinho os principais pontos do desenvolvimento da criança, é possível que elas atinjam plena autonomia. Dizem que criamos criamos nossos filhos para o mundo, não é mesmo? Quando eles têm alguns cromossomos extras isso não é diferente. Só precisam de um empurrãozinho a mais e antes de percebermos já estão enchendo a todos de orgulho.

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